[os bastardos de Jules Et Jim]
Adaptado do romance homônimo de Henri-Pierre Roché, o filme de Truffaut narra a grande amizade entre o alemão Jules (Oskar Werner) e o francês Jim (Henri Serre), e o amor de ambos por Catherine (Jeanne Moreau, inesquecível). Através de várias décadas, os três boêmios formam um libertário triângulo amoroso fadado à tragédia. Sem dúvida, uma das mais belas histórias contadas no Cinema. 
Três Formas de Amar [Threesome/1994]
Lara Flynn Boyle, Stephen Baldwin e Josh Charles protagonizam essa deliciosa comédia autobiográfica, inspirada nas experiências que o cineasta Andrew Fleming vivenciou no período da faculdade. O filme começa centrado em dois estudantes: o cerebral, sexualmente confuso, Eddy, e o marombado, intelectualmente obtuso, Stuart. A rotina dos dois muda radicalmente quando, por um erro da Universidade, a estudante Alex é mandada para o alojamento onde eles vivem. Com a forçada convivência, logo os hormônios comandam a situação, enquanto os interesses afetivos e sexuais correm sem rumo pela tríade. Stuart quer Alex, que se apaixona por Eddy, que deseja Stuart. Cartas na mesa, o filme se desenrola na frustração e sublimação desses desejos.
Obs: Jules Et Jim é citado no filme por Eddy, que o assistiu em sua aula de Cinema Francês.
Esplendor [Splendor/1999]
Verônica (Kathleen Robertson) é uma moça certinha, de 22 anos, que se apaixona simultaneamente por dois rapazes: o baterista Zed (Matt Keeslar), e o crítico de música alternativa Abel (Johnathon Schaech). Vivendo uma situação sem precedentes em sua vida, Verônica descobre que sente igual afeição pelos dois e, com o tempo, acaba convencendo-os a aceitar o triângulo amoroso e, eventualmente, morarem juntos. Dirigido pelo polêmico Gregg Araki (do maravilhoso Mysterious Skin/2004), Esplendor decepciona e revela-se um filme mediano, tout court. Vale o preço do DVD pela ótima trilha sonora, que inclui New Order, Blur, Air, Chemical Brothers, Lush, Suede, Slowdive e Fatboy Slim.
E Sua Mãe Também [Y Tu Mamá También/2001]
Um dos precursores do novíssimo cinema mexicano, ao lado de Amores Brutos (Amores Perros/2000, de Alejandro González Iñarritu), E Sua Mãe Também co-inaugura a estética da Decadência Lírica, que propõe um olhar onírico para a miséria social do México. Neste road-movie latino, os amigos Tenoch (Diego Luna) e Julio (Gael Garcia Bernal) são dois adolescentes classe média, que se amarram em las chicas, marijuana y puñeta. Alienados da realidade de seu país, eles estão em férias, entediados, e suas namoradas viajaram juntas para a Europa. Na festa de casamento da irmã de Tenoch, eles conhecem “la española” Luisa (Maribel Verdú), e propõem a ela uma viagem a uma praia que eles inventaram. La española mucho loca aceita a proposta e os três partem para uma jornada de auto-conhecimento e libertação. O ménage só vem ao final, quando todos os três já exorcizaram seus próprios demônios e resolveram as diferenças entre eles. Alfonso Cuarón escolhe usar uma linguagem quase documental, com narração em off e planos muito abertos, que emprega ao filme um gosto amargo de verdade inconveniente, difícil de engolir. Mas como remédio bom, um mal necessário.
As Regras da Atração [The Rules of Attraction/2002]
Pense em O Último Tango em Paris (Ultimo Tango a Parigi/1972). Pronto! Agora, quem melhor que Bertolucci para mostrar toda a tensão sexual contida entre quatro paredes? Ninguém. Em Os Sonhadores, o adolescente americano Matthew (Michael Pitt) vai estudar em Paris, em 1968, ano da revolução (que nunca foi) dos estudantes pelas rues et places da cidade-luz. Durante uma manifestação estudantil na Cinémathèque Française de Henri Langlois, Matthew conhece Isabelle (Eva Green) e seu irmão gêmeo Théo (Louis Garrel). Com os pais dos franceses viajando, os três ficam confinados um mês dentro de um apartamento discutindo Cinema, Literatura, Música, Socialismo; e fazendo sexo. Muito sexo. Logo no começo de sua estadia naquele apartamento, Matthew já descobre que os irmãos vivem um relacionamento incestuoso. Enquanto se apaixona por Isabelle, ele percebe que a moça não consegue romper os laços “fraternos” com Théo e, com o tempo, acaba se envolvendo com o garoto também. Os Sonhadores é, além de tudo, um pretexto para Bertolucci homenagear o Cinema. Toda a película é permeada por flashs de filmes clássicos, sem contar as inúmeras referências diegéticas espalhadas na mise en scène.
Uma Casa no Fim do Mundo [A Home at the End of the World/2004]
Adaptado do romance homônimo de Michael Cunningham (As Horas), Uma Casa no Fim do Mundo narra três décadas na vida de dois amigos. Bobby (Colin Farrell) e Jonathan (Dallas Roberts) cresceram juntos. Para Jonathan, Bobby representa todo um universo desconhecido, de amor livre e drogas maravilhosas. Bobby encontra em Jonathan a possibilidade de uma convivência familiar que nunca conheceu. Depois de uma adolescência regada a maconha, LSD e punhetas trocadas, os amigos seguem rumos diferentes, para se reencontrar mais tarde, nos loucos anos 80. É nessa altura que aparece Clare (Robin Wright Penn), a fag-hag de Jonathan, que se apaixona por Bobby. A princípio, os três dividem um apartamento, e mais tarde compram uma casa num fim de mundo, onde iniciam uma família bem incomum. Dirigido por Michael Mayer, Uma Casa no Fim do Mundo é um retrato super sensível sobre amizade, amor e aceitação, como as únicas armas eficientes contra a solidão e a dor. Destaque para Sissy Spacek, na pele da mãe tresloucada de Jonathan.
Duchas Frias [Douches Froides/2005]
20.12.06L’amour à trois dans le Cinéma Jules Et Jim (François Truffaut, 1962) é talvez o ícone maior da Nouvelle Vague. Essencialmente, é um tratado sobre a amizade entre dois homens, que para proporcionar plenitude e felicidade um ao outro, são capazes de dividir o amor de uma mulher. A boêmia Paris no início do século XX é o palco primeiro para essa história de amor a três, que não só reinventou o Cinema francês, como também serve de inspiração para inúmeras outras obras do gênero. Jules Et Jim foi exaustivamente referenciado, e pateticamente copiado ao longo dos anos. Mas aqui reside uma grande armadilha. Como falar de amor a três no Cinema, sem trazer referências de Jules Et Jim? Como não homenageá-lo? Entretanto, como fazer isso, sem copiá-lo? Desse impasse nasceram os bastardos de Jules Et Jim, alguns belos, outros terríveis. Vamos a eles: Dirigido por Roger Avary e inspirado no livro de Bret Easton Ellis (de American Psycho), As Regras da Atração é um filme cruel. No enredo, Sean Bateman (James Van Der Beek) é um traficante de drogas, que se apaixona por Lauren (Shannyn Sossamon), porque acredita que a moça é a remetente de uma série de cartas perfumadas que ele recebe. Ao mesmo tempo, Sean se aproxima de Paul (Ian Somerhalder), bissexual, ex-namorado de Lauren, que nutre uma paixão platônica por ele. Em As Regras da Atração, o amor não tem vez. Os personagens são movidos pelo desejo, pela frustração, pela solidão, mas nunca pelo amor. Um dos grandes atrativos deste filme é a narrativa. A princípio, ela vem recortada, onde os três personagens principais dividem a locução da história, que flui de diversas formas, abusando de flashbacks, flashforwards e telas divididas. Com esse recurso, Avary antecipa o desfecho de diversas situações, nos fazendo sentir a dor antes de receber o golpe. Delicioso. Os Sonhadores [Il Sognatore - The Dreamers/2003] Ahh, o atual Cinema francês e seu fetiche pelos conflitos de classes, pelo discreto charme da burguesia, apodrecida em sua essência! Duchas Frias é o bem-elogiado début do diretor Antony Cordier em grandes festivais. O filme é centrado em Mickael (Johan Libereau), um adolescente de família muito pobre: o pai, um taxista alcoólatra que perde a habilitação por dirigir embriagado; a mãe, uma faxineira de uma academia de ginástica, onde Mickael faz seus treinos de judô. Ele namora a bela Vanessa (Salome Stevenin), mas se sente irrefreavelmente compelido a dividi-la (sexualmente) com seu companheiro de judô, Clement (Pierre Perrier). Após sublimar esse desejo num ménage muito sexy sobre os tatames, Mickael começa a se sentir ameaçado por Clement, que vem de uma família rica e, aparentemente, bem-estruturada. Além dos conflitos gerados pelo amadurecer pessoal e sexual dos três jovens, Duchas Frias ainda toca de forma muito sóbria nas diferenças de classes e a ferida aberta que isso representa na França. _____________________________________ “1 fille / 2 garçons / 3 possibilités!”
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20.12.06

9 Comments:
bah!
esse seu post me deu COISAS!
¬¬
Muito bom Di!!
Fiquei louco pra ver os que ainda não vi.
Vou ver com certeza.
Abração.
Gostei, cara! =) Tenho que ver os que eu ainda nao vi! Pelas suas críticas, boto feh que soh nao vou ver o Esplendor. Tenho eh que ver o Duchas Frias, que ja esta aqui no computador! =P
Abracao!
o Ducha Frias está passando no canal Cine-max. acabei de ver e fui pesquisar no google :) os flogs estão se saindo melhor que muitos sites :) alguns especializados em cinema nem o comentaram ainda :( e talvez nao o façam. valeu ae! vou voltar pra ler a sua crítica. vai q depois eu esqueço de comentar, então vim logo. flw
Quantos filmes ainda faltam para eu ver? Bilhões! Graças a Deus! hahaha
faz blog e nem avisa, CANALHA!
oh, honey! I am so far behind in my "must watch" movies list i don't even know what to say ; ) it's embarassing!!!
Miss you more than a lot. We got to meet sometime and have a pizza.
looooove ya!
xoxo
"Jules et Jim" é um dos meus prediletos.
Agora, entre os filmes citados, alguns são bastardos mermo, que até causam vergonha à família. Outros parecem descendentes diretos, carregam o sangue nobre. "Os Sonhadores", por exemplo. E "Três formas de amar" parece (pra mim) um bastardo querido, aceito e apadrinhado pelos parentes.
Tem um francês que fez sucesso em cannes esse ano.. na mostra Un Certain Regart.. é o "Les amours imaginaires".. dê uma olhada \o
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